Me
perdoe, eu errei!
Há alguns anos
atrás, morei numa casa conjugada, ou seja, eu tinha um vizinho e partilhávamos
o mesmo quintal e a mesma entrada. Os meus chegados sempre recebiam visitas, e
num final de tarde ao chegar próximo a minha casa, observei que um carro estava
estacionado em frente à entrada da garagem, tomando assim aproximadamente 40%
da passagem. Embora seja um ótimo tema de discussão, as reflexões de hoje não
serão sobre descuido ou o desrespeito de leis que por muitos, são consideradas
“menores”, “irrelevantes” e que não o são. Entretanto ela se dará, no que
aconteceu logo em seguida.
Notei a
situação, não me incomodei com isso, pensei: vou descer do meu carro, e pedir
ou esperar que a dona venha retirar o carro. Afinal, eu vi que minha vizinha
estava com visitas, e era justamente a proprietária do veículo que estava
impedindo minha passagem. Apesar de ponderar em esperar, decidi realizar uma
manobra ousada, subi um pouco na rampa do outro vizinho, e consegui entrar na
minha garagem.
Ao passar pela
área, próximo a porta da vizinha, a dona do veículo com o tom de voz levemente
mais forte que o natural numa conversa, me interpelou: “Se você tivesse decido do carro
e me pedido, eu teria tirado o meu carro da frente!”. Inspirei fundo, e
suspirei. Muitas possíveis reações se passaram em minha mente. Entretanto,
olhei nos olhos dela e disse: “mulher,
tudo bem, não há problemas eu consegui entrar, por favor, deixe a passagem
livre na próxima.”...
O que você falaria? Qual seria sua reação? E
se fosse você a mulher proprietária do veículo, o que faria estando errada (o)?
Pense um pouco antes de continuar a leitura. Como você age quando está errado?
Reconhece os seus erros? Ou se esconde nos erros dos outros? É fácil reconhecer
os próprios erros?
Não estou
aqui jugando a personalidade da dona do veículo, entretanto, o propósito desse
texto é você. Quero que pense a respeito das suas atitudes, quando foi a última
vez que você pediu perdão a alguém? um familiar, vizinho, amigo? Espero que
caso tenha sido há muito tempo, seja porque você não teve motivos e não por
falta de coragem ou humildade de reconhecer os próprios erros. Infelizmente é
realidade de muitas famílias, filhos que nunca viram os pais se desculparem, e
pais que nunca receberam o pedido de desculpas de seus filhos.
O perdão é libertador, traz paz, cura, crescimento e muitos outros benefícios,
que não podem plenamente serem descritos, só quem vive sabe.
O perdão
verdadeiro, que proporciona a cura da mente, não pode ser feito de forma
descuidada, como geralmente observamos. Acredito que você já ouviu a seguinte
frase: “me desculpe se te magoei nalguma coisa” é bem verdade que as vezes a
pessoa não sabe se realmente magoou o interlocutor. Todavia na maioria das
vezes sabe, sabe e usa esse pedido fraco, que a meu ver não caracteriza
arrependimento, para se eximir da responsabilidade de reconhecer o seu erro de
forma específica. Isso é tão verdade quanto o fato de que nem todos que desejam
ser perdoados o serão, entretanto, é preciso fazê-lo, e de forma autêntica.
Deixo*
aqui cinco dicas que nos ajudarão a pedir perdão, oriundos de uma pesquisa da Universidade de Ohio (Estados Unidos):
1.
Derrubar preconceitos. Nossa
sociedade continua associando o ato de pedir perdão com a fragilidade, por isso
é hora de derrubar todos esses preconceitos interiores e entender que não há
ninguém mais corajoso do que quem é capaz de se vestir com a humildade para
pedir desculpas.
2.
Contato visual e uso da assertividade para não
cair em falsas justificativas. É preciso olhar nos olhos da pessoa que ferimos
para lhe dizer com clareza onde nos enganamos.
3.
Reconhecer a própria responsabilidade
em tudo que foi provocado.
4.
O arrependimento, para que
seja crível, precisa estar acompanhado sempre da clara vontade de reparar os
danos causados.
5.
O perdão precisa ser oferecido sem
dramatismo e com a empatia adequada.
REpense, peça perdão.
Longe de
ser fraqueza,
É limpar o
coração.
Pois faça
logo,
Enquanto puder.
*https://amenteemaravilhosa.com.br/errar-comum-pedir-perdao-virtude/
https://news.osu.edu/news/2016/04/12/effective-apology/

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