domingo, 21 de janeiro de 2018

E agora ? O tempo se foi?

Conta e Tempo

Deus pede estrita conta de meu tempo. 
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. 
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta 
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? 

Para dar minha conta feita a tempo, 
O tempo me foi dado, e não fiz conta, 
Não quis, sobrando tempo, fazer conta, 
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. 

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, 
Não gasteis vosso tempo em passatempo. 
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! 

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, 
Quando o tempo chegar, de prestar conta 
Chorarão, como eu, o não ter tempo... 

Frei António das Chagas, in 'Antologia Poética'.


domingo, 7 de janeiro de 2018

Me perdoe, eu errei!


Me perdoe, eu errei!
Há alguns anos atrás, morei numa casa conjugada, ou seja, eu tinha um vizinho e partilhávamos o mesmo quintal e a mesma entrada. Os meus chegados sempre recebiam visitas, e num final de tarde ao chegar próximo a minha casa, observei que um carro estava estacionado em frente à entrada da garagem, tomando assim aproximadamente 40% da passagem. Embora seja um ótimo tema de discussão, as reflexões de hoje não serão sobre descuido ou o desrespeito de leis que por muitos, são consideradas “menores”, “irrelevantes” e que não o são. Entretanto ela se dará, no que aconteceu logo em seguida.

Notei a situação, não me incomodei com isso, pensei: vou descer do meu carro, e pedir ou esperar que a dona venha retirar o carro. Afinal, eu vi que minha vizinha estava com visitas, e era justamente a proprietária do veículo que estava impedindo minha passagem. Apesar de ponderar em esperar, decidi realizar uma manobra ousada, subi um pouco na rampa do outro vizinho, e consegui entrar na minha garagem.

Ao passar pela área, próximo a porta da vizinha, a dona do veículo com o tom de voz levemente mais forte que o natural numa conversa, me interpelou: “Se você tivesse decido do carro e me pedido, eu teria tirado o meu carro da frente!”. Inspirei fundo, e suspirei. Muitas possíveis reações se passaram em minha mente. Entretanto, olhei nos olhos dela e disse: “mulher, tudo bem, não há problemas eu consegui entrar, por favor, deixe a passagem livre na próxima.”...  

O que você falaria? Qual seria sua reação? E se fosse você a mulher proprietária do veículo, o que faria estando errada (o)? Pense um pouco antes de continuar a leitura. Como você age quando está errado? Reconhece os seus erros? Ou se esconde nos erros dos outros? É fácil reconhecer os próprios erros?

Não estou aqui jugando a personalidade da dona do veículo, entretanto, o propósito desse texto é você. Quero que pense a respeito das suas atitudes, quando foi a última vez que você pediu perdão a alguém? um familiar, vizinho, amigo? Espero que caso tenha sido há muito tempo, seja porque você não teve motivos e não por falta de coragem ou humildade de reconhecer os próprios erros. Infelizmente é realidade de muitas famílias, filhos que nunca viram os pais se desculparem, e pais que nunca receberam o pedido de desculpas de seus filhos. O perdão é libertador, traz paz, cura, crescimento e muitos outros benefícios, que não podem plenamente serem descritos, só quem vive sabe.

O perdão verdadeiro, que proporciona a cura da mente, não pode ser feito de forma descuidada, como geralmente observamos. Acredito que você já ouviu a seguinte frase: “me desculpe se te magoei nalguma coisa” é bem verdade que as vezes a pessoa não sabe se realmente magoou o interlocutor. Todavia na maioria das vezes sabe, sabe e usa esse pedido fraco, que a meu ver não caracteriza arrependimento, para se eximir da responsabilidade de reconhecer o seu erro de forma específica. Isso é tão verdade quanto o fato de que nem todos que desejam ser perdoados o serão, entretanto, é preciso fazê-lo, e de forma autêntica.

Deixo* aqui cinco dicas que nos ajudarão a  pedir perdão, oriundos de uma pesquisa da Universidade de Ohio (Estados Unidos):

1.       Derrubar preconceitos. Nossa sociedade continua associando o ato de pedir perdão com a fragilidade, por isso é hora de derrubar todos esses preconceitos interiores e entender que não há ninguém mais corajoso do que quem é capaz de se vestir com a humildade para pedir desculpas.
2.       Contato visual e uso da assertividade para não cair em falsas justificativas. É preciso olhar nos olhos da pessoa que ferimos para lhe dizer com clareza onde nos enganamos.
3.       Reconhecer a própria responsabilidade em tudo que foi provocado.
4.       O arrependimento, para que seja crível, precisa estar acompanhado sempre da clara vontade de reparar os danos causados.
5.       O perdão precisa ser oferecido sem dramatismo e com a empatia adequada.

 REpense, peça perdão.
Longe de ser fraqueza,
É limpar o coração.
Pois faça logo,
Enquanto puder.


Fontes 

*https://amenteemaravilhosa.com.br/errar-comum-pedir-perdao-virtude/
https://news.osu.edu/news/2016/04/12/effective-apology/

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Meu agreste

Agreste.



Lá rápido aprendi,
que água é felicidade.
Lugar no qual o ingrato,
no sofrer, obtém maturidade.

A pouca água que lhe vem,
para muito lhe serve.
Não como convém,
A fim de que a preserve.

O desconforto de sua ausência,
é o bastante para saber
que água é sobrevivência,
não a podemos perder.

Aqui chuva é corriqueira,
tem gente que nem nota.
Parece até brincadeira,
Vergonha, até derrota.

Ter tamanha graça,
sem a reconhecer.
Meu coração embaraça,
esse foi meu proceder.

Por Ambição devassa,
tudo se assola.
Até mato vira fumaça,
o natural, por esmola.

Repense, fique esperto!
É verdade fatal
O que hoje é deserto,
Ontem foi matagal.

Tiago dos Anjos Cordeiro

E agora ? O tempo se foi?

Conta e Tempo Deus pede estrita conta de meu tempo.  E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.  Mas, como dar, sem tempo, tanta conta  Eu, qu...